QUALIFICAÇÃO

Treinamento fortalece vigilância de doenças transmitidas por animais silvestres em Roraima

Proposta é preparar profissionais dos 15 municípios para identificar sinais precoces da circulação desses vírus e fortalecer a rede de vigilância de todo o estado

Com o objetivo de fortalecer a vigilância de doenças que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos, a Sesau (Secretaria de Saúde), em parceria com o Ministério da Saúde, iniciou nesta segunda-feira, 08, o Treinamento em Vigilância de Arboviroses Zoonóticas Aplicado à Vigilância Animal.

A capacitação reúne profissionais dos 15 municípios de Roraima e aborda o monitoramento de doenças como febre amarela, febre do Nilo Ocidental, mayaro e oropouche. A proposta é preparar as equipes para identificar sinais precoces da circulação desses vírus e ampliar a capacidade de resposta da rede de vigilância em saúde.

Segundo o técnico do Núcleo de Controle da Febre Amarela e Dengue da CGVS (Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde), Joel Lima, Roraima é o primeiro estado a receber o treinamento no formato desenvolvido pelo Ministério da Saúde.

“Essa capacitação vem justamente para formar multiplicadores no estado para que a gente consiga ampliar essa vigilância dos animais silvestres, que é o primeiro sinal. Quando começa a morrer ave, primata não humano ou outros animais, isso pode indicar a circulação de alguma doença. Geralmente, os animais são acometidos antes dos seres humanos. Por isso, precisamos fortalecer essa vigilância para evitar adoecimentos e óbitos”, afirmou.

Durante o treinamento, os participantes receberam orientações sobre o uso do aplicativo SISS-Geo (Sistema de Informação em Saúde Silvestre), ferramenta que permite registrar ocorrências envolvendo animais silvestres doentes ou mortos, mesmo em áreas sem acesso imediato à internet. As informações são posteriormente sincronizadas com os sistemas de vigilância e enviadas com a localização geográfica da ocorrência, auxiliando no monitoramento de áreas de risco.

“Com esse programa, qualquer pessoa pode registrar a ocorrência. Basta tirar uma foto do animal. Não é necessário ter internet no momento do registro. Depois, essas informações são encaminhadas ao Ministério da Saúde, ao Estado e ao município, juntamente com as coordenadas geográficas do local”, explicou Joel Lima.

Para o diretor do Centro de Controle de Zoonoses de Boa Vista, Samuel Garça, a capacitação permite que os municípios estejam mais preparados para identificar riscos e adotar medidas preventivas.

“Nós ainda não temos notificações relacionadas a essas doenças, mas já estamos nos qualificando para permanecer em alerta e repassar esse conhecimento a outros profissionais da saúde e da vigilância. É importante manter esse monitoramento para evitar a ocorrência de doenças zoonóticas tanto nos animais quanto na população”, ressaltou.

A Sesau orienta que, ao encontrar um animal silvestre doente ou morto, a população não toque, manipule ou retire o animal do local. A recomendação é comunicar imediatamente uma unidade de saúde, agente de endemias ou equipe de vigilância do município para que as providências adequadas sejam adotadas.

SECOM RORAIMA

JORNALISTA: Suyanne Sá

FOTOGRAFIA: Ascom/Sesau

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